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06/07/2022

Meio do Mundo

por Fagner Garcia Vicente via facebook

Muito antes dos milicos abrirem a Transamazônica no seu projeto de “integração nacional”, outros modelos de colonização da Amazônia foram iniciados – para serem abandonados num futuro próximo. Entre eles (e talvez o que mais consequência teve), estava a Colônia Agrícola Nacional do Pará, popularmente conhecida pelo acrônimo: CANP.
Tornada uma colônia agrícola federal por Vargas em 40, a CANP começou sua história quando a gleba Inglês de Souza, no município de Monte Alegre, foi concedida para a colonização, em 1927 (mesmo ano em que o magnata Henry Ford criava Fordlândia às margens do Tapajós). O peculiar em relação à CANP, ao menos a partir da década de 40, é que a colônia se pretendia autossuficiente e, muito por força das circunstâncias, era autogerida. Os colonos desempenhavam as funções técnicas e administrativas, como funcionários do governo. Até recentemente, vários dos servidores mais antigos do INCRA na região eram oriundos da CANP.
Outra peculiaridade interessante é o marco de concreto no centro da agrovila – chamado de “Meio do Mundo” pelos moradores. A história contada é que, seja por um erro de cartografia, seja por uma crença equivocada que se difundiu posteriormente, o marco se localizava sobre a linha do equador (que, na verdade, está uns 200 km ao norte). Tenho pra mim que, na vastidão da calha norte, o centro da CANP, independente de sua ubicação geográfica, tinha de ser forçosamente o meio do mundo, daquele mundo isolado e autocentrado.